Filhos Adolescentes: Como lidar com eles?

Uma das maiores preocupações dos pais, atualmente, é saber como lidar com filhos adolescentes. O que fazer para que o filho consiga êxito nos estudos e no trabalho? Como garantir que, quando estiver sozinho ou longe da supervisão direta dos pais, se comporte da maneira como foi “educado” ou da maneira como se espera? Como educar o filho para que não se envolva com bebidas, sexo, cigarros e até mesmo com drogas?

Nos dias atuais, não faltam “técnicas” que ajudam pais “desesperados” a educar seus filhos, a fim de lhes garantir um futuro promissor, tanto do ponto de vista econômico como dos pontos de vista educacional e moral. Mas, quanto ao evangelho, será que se tem estudado, de maneira séria e eficaz, o comportamento de adolescentes, seus antecedentes e suas conseqüências? Será que a igreja do Senhor tem encarado essa questão de maneira madura, fazendo as perguntas certas e tentando responder de maneira idônea, sem medo das respostas obtidas? Como os pais cristãos lidam com esse “desafio” de educar seu filho adolescente? Será que utilizam os princípios da palavra de Deus no processo educacional?

Citaremos, adiante, alguns exemplos de comportamentos bem característicos (para não dizer estereotipados) de alguns pais, tanto na igreja como na psicologia. É importante salientar que não são rótulos e que não existem pais que agem somente de acordo com um tipo de comportamento aqui citado. Na verdade, os pais, como todo o restante da “humanidade”, apresentam diversas respostas comportamentais em diferentes contextos e contextos diferentes entre si. Nosso objetivo, aqui, é discutir como tais atitudes podem afetar, direta e indiretamente, o comportamento dos filhos, mostrando que, na maioria das vezes, o filho age em reação ao comportamento dos próprios pais.

Um comportamento bem característico é a “modernização”. Neste caso, os pais tentam se assemelhar o máximo possível ao filho, para assim conseguir sua confiança. Usam tênis de marcas famosas, bermudões, mini-saias, calças apertadas, bijuterias, relógios, entre outros acessórios, também utilizados por seus filhos. Quando não, utilizam palavras comuns à sua linguagem. Acreditam que, ao se vestirem como eles, utilizarem as mesmas expressões – até mesmo gírias – e adotarem o mesmo cardápio alimentar, “ganharão terreno”, se tornarão seus confidentes, amigos. Os pais pensam que, assim, saberão tudo sobre o filho e, dessa forma, poderão até intervir, quando julgarem necessário.

É possível afirmar que todo esse “esforço”, muito provavelmente, não tenha o retorno esperado. O que pode acontecer a esses pais é “caírem no ridículo” (sem desconfiar disso). Outra conseqüência é o filho tratá-los como mais um de seus amigos e ouvi-los como ouve qualquer amigo. Conselhos ou ordens dos pais podem se tornar facultativos. E, ainda, o filho pode não os ver como pais.

Por mais que os pais tentem se parecer com os filhos, eles sempre serão pais, e é importante que o filho os veja como assim.

Não defendo a seriedade, a distância ou o rigor. É importante que os filhos vejam e aceitem os pais como são. Com sua moda, sua fala, e, ainda assim, devem confiar neles. A confiança e o respeito dos filhos não são adquiridos com o fato de os pais “entrarem na turma”, mas sim pelo fato de estarem presentes. É necessário que sejam vistos como um porto seguro, alguém de confiança, alguém que os proteja, que faça a diferença, não somente como provedores de bens, mas como verdadeiros amigos.

A amizade entre pais e filhos deve partir dos pais e isso é feito com demonstração de amor incondicional, independentemente da situação.

Em contrapartida, há pais que tentam fazer do controle sob seus filhos a sua principal forma de educação. Utilizam os mais diversos meios coercitivos e fazem deste controle excessivo a sua marca. Os filhos são mantidos sob um esquema de vigilância constante, sendo que todas as atividades, horários, e até mesmo os amigos são controlados. O filho é mantido sob as mais diversas ameaças (corte de dinheiro, perda de bens, agressão, exposição de defeitos na frente de amigos, etc.).

Alguns pais, que dizem professar a fé em Cristo, incutem em seus filhos, principalmente, quando adolescentes, um medo extremo do pecado. Nesse contexto, tudo é pecado (na maioria das vezes, conforme a conveniência dos pais), e o controle se dá pela absolvição ou acusação do pecado do filho. A falha está em não mostrar a este que o pecado está no mundo, mas que Cristo veio para nos livrar do pecado, através de sua morte.

Para esse caso, devemos explicar um conceito utilizado na psicologia comportamental chamado de contracontrole. Este conceito é bem simples: quando há um controle excessivo sobre um determinado indivíduo, o indivíduo controlado se comporta a fim de evitar esse controle. Esse comportamento pode ser desde uma simples fuga ou esquiva, até a agressão propriamente dita.

É comum vermos adolescentes que sofrem esse tipo de coerção dos pais, e, dessa forma, quando se vêem livres, se “soltam”, fazem tudo o que os pais certamente estariam controlando rigorosamente. É nesse tipo de situação que podemos ver (e entender) que alguns adolescentes, filhos de pessoas notáveis de nossa comunidade, acabam se envolvendo com drogas, prostituição, álcool, crimes, entre outras coisas. Isso é justamente o contracontrole anteriormente citado. Esses pais que sempre dizem “não pode!” e que tudo controlam, provavelmente, favorecerão que seu filho, ao vir uma brecha de “liberdade” (viagem dos pais, estudo em outra cidade, etc.), faça inúmeras coisas que jamais pensou ser capaz de fazer.

Que os adolescentes precisam de um cuidado especial dos pais é fato, mas esse cuidado não tem de ser expresso na forma de controle coercitivo. Deve ser feito, acima de tudo, com amor e sob a luz da palavra de Deus. Não vemos nenhum exemplo, nas Sagradas Escrituras, de controle excessivamente coercitivo do Senhor sobre seus filhos; pelo contrário, Deus deixa clara a condição do livre-arbítrio.

Há, também, aqueles pais que são omissos e simplesmente deixam que seus filhos sigam os seus caminhos, “confiando” na educação que lhes deram. Devemos, de fato, confiar na educação dada aos filhos, mas não podemos nos esquecer deles. A educação dada pelos pais não é cem por cento correta e completa; sempre se deixa de falar ou mostrar algo, durante o processo educacional.

No entanto, é importante dizer que estamos nos referindo a pessoas, e estas, por sua vez, são hábeis em aprender novos comportamentos, a partir de pequenas situações (modelos) e informações. É preciso verificar que, nos dias atuais, crianças e adolescentes têm acesso a diversos tipos de informações e, por mais eficaz que seja a educação dada pelos pais, não se pode assegurar que os filhos “filtrarão” toda a informação recebida de outras fontes que não sejam os pais ou a igreja.

O adolescente tem muitas dúvidas. Acredite! A adolescência é um período complicado. Afinal, além de ser uma fase de mudança no corpo (principalmente nas mulheres), marca o término da infância e o início da vida adulta. A partir de então, o ser humano começa a decidir sobre sua própria vida (como a profissão seguir, por exemplo) e terá de arcar com as decisões tomadas, sem contar que esse é o momento em que tanto o rapaz quanto a garota (também devido às alterações e ao amadurecimento do sistema endócrino) “descobrem o amor”, e se vêem apaixonados facilmente. Obviamente, essas mudanças, entre outras, geram grandes dúvidas.

Mesmo que não se goste de admitir dúvidas, essas, uma vez presentes, precisam ser sanadas, sempre à luz da palavra do Senhor. Infelizmente, as fontes de informações disponíveis nem sempre são confiáveis, sob a ótica do evangelho. Se ninguém estiver por perto, preferencialmente os pais, quando tais dúvidas aparecerem, os filhos adolescentes certamente procurarão outras fontes de informação (internet, amigos, escola, televisão, etc.) e acabarão tendo suas dúvidas sanadas; provavelmente, não com respostas corretas, mas, sim, com respostas que, certamente, os arrastarão para o mundo.

Por vezes, pais se mostram interessados e preocupados com o seu filho adolescente, mas, na verdade, estão tão absorvidos em seus afazeres – seja em casa, no trabalho ou até mesmo na igreja, com seus cargos – que essa preocupação fica apenas na teoria.

A adolescência é uma fase maravilhosa da vida. É quando a maioria das descobertas acontecem e a motivação para conquistar o próprio mundo aparece. Mas essa mesma motivação, muito bonita em um jovem, pode se tornar fonte de problemas, quando estiver direcionada para o pecado.

Para que isso não aconteça, os pais devem se posicionar, não como uma “agência de controle”, ou como um dos membros da “tribo” do filho, nem deixando que seus filhos caminhem sozinhos, mas, sim, como pais que são, porque, afinal de contas, esses filhos estão deixando de ser crianças e estão se tornando homens e mulheres. Para que possam ter plenas condições para realizar o seu futuro, precisam ser direcionados.

Quem deve dar essa direção são os pais, mas sob a orientação do Espírito Santo e através da Bíblia Sagrada. Os pais devem ser companheiros, acima de tudo; não devem ter medo de falar com os filhos, nem de saber o que andam fazendo. Devem participar da vida de seus filhos, mas com amor, amizade (a verdadeira amizade que um pai deve ter), respeitando-os como pessoas e respeitando seu espaço. Tudo isso deve ser feito sob a luz da palavra de Deus. Afinal, os adolescentes são a igreja de hoje. Portanto, se sua energia e motivação forem bem trabalhadas, eles podem fazer com que a única revolução que venham a realizar seja o “Ide por todo mundo”.

Extraído: Revista O Clarim – Autor:  Roberto de Oliveira Soares | Professor de Psicologia

2 comments to “Filhos Adolescentes: Como lidar com eles?”

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  1. jossane oliveira says: 30/12/2014 at 10:04

    Nao seria uma resposta e sim uma orientação. Educo minha filha adolescente de 12 anos sozinha devido meus esposo ter sofrido um acidente e por consequencia ficou com problemas mentais, mas está sendo um desafio não estou sabendo como lidar com ela e ultimamente estou surtando, sou convertida desde 1999 e minha filha foi criada num lar cristão, porém desde 2007 quando aconteceu o acidente me sinto só e agora me deparo com uma adolescente, gostaria de orientações dentro da palavra de como poderei lidar e tratar com minha filha sem perder o controle e autoridade de mãe..
    obrigada!

    • Olá, Jossane? Tudo bem? Chuchu, pelo seu relato, vc tem passado por momentos difíceis (mas quem não passa? Não é mesmo? Já que Deus disse que “nesse mundo teríamos aflições”). Como você, também me sinto sozinha, as vezes (sou mãe solteira). Mas sempre lembro que “Deus está comigo”. Ele está com vc tb. Se uma resposta da parte de Deus ainda não foi lhe dada, persevere q ela vira. Sou mãe de uma criança de 2 anos e ainda nao cheguei nessa fase, a qual vc está. Mas te digo uma coisa que sempre permeou a minha adolescência e que procurarei passar para meu filho: ” não provocar a ira dele” – isso é bíblico. Não fique sobrecarregada. Levante cedo, faça suas tarefas e procure ter tempo com sua filha. E com amor, converse com ela, ofereca-lhofereca- lhe ajuda, passeie com ela ())vá na pracinha comer pipoca). Faça um encontro em sua casa para as amiguinhas dela, em outro dia diga a ela q vc a Ama, no outro dia de-lhe um abraço. Mas tb , diga NÃO qd precisar, imponha algumas regras q deverão ser cumpridas com penalidades de castigo… mas tudo com AMOR. Bjs.

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