Lembrem-se de seus pastores

“Lembrai-vos dos vossos pastores, que vos falaram a palavra de Deus, a fé dos quais imitai, atentando para a sua maneira e viver (…) Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil”.  (Hb 13:7,17)

V ivemos em uma época marcada por atitudes de desrespeito para com as autoridades, quaisquer que sejam elas. Essas atitudes podem ser constatadas na família, na escola, no trabalho e na igreja. Os filhos já não têm mais a mesma consideração pelos pais; os alunos já não têm mais a mesma consideração pelos professores e o mesmo vem acontecendo também na igreja, em relação à figura pastoral. Ao constatarmos essas coisas, a impressão que temos é a de que não há consciência clara sobre o que o pastor representa na igreja. Por isso, passaremos a tratar, aqui, sobre o pastor, com o propósito de lembrar o papel que esse homem desempenha na igreja para com os fiéis.

A figura do pastor: Sob muitos aspectos, o pastor é um crente como qualquer outro, diferente apenas pelo grau de responsabilidade que lhe foi atribuído e pelos inúmeros deveres que essa responsabilidade lhe impõe. Dizemos isto em razão da falsa ideia prevalecente na maioria dos crentes em Jesus, segundo a qual o pastor deve ser uma espécie de super-homem, dotado de fé, santidade, amor, paciência e compreensão acima do normal. Não é ruim que pensem assim, se o desejo maior é o de imitá-lo. Mas é importante saberem que nem sempre o pastor possui todas as virtudes e, em um bom número de casos, possui tantas necessidades como qualquer outro membro do corpo de Cristo. Uma coisa, porém, não podemos esquecer: o pastor é o homem de Deus encarregado de cuidar da seara e de seu rebanho. Tem necessidades físicas, sociais e espirituais, como qualquer outra pessoa. Porém, essas necessidades deveriam ser vistas, pelos fiéis, como decorrentes da função que ele exerce e que o fazem merecedor da compreensão de todos. A luta contra as forças do mal, por exemplo, que é tão comum na vida de qualquer crente, é ainda muito mais intensa na vida do pastor, em razão do seu envolvimento com a causa de Deus.

“Lembrai-vos dos vossos pastores”: Diante da recomendação divina, através do escritor da carta aos Hebreus, entendemos que o ser humano é muito esquecido. Até mesmo quando assume compromissos importantes, acaba se esquecendo. Daí a razão de Deus ter procurado chamar-lhe à atenção para certas coisas que jamais deveriam ter sido esquecidas. Desde o princípio, o Senhor vem repetindo: Lembra-te do dia do sábado, para o santificar (Êx 20:8); lembrai-vos da mulher de Ló (Lc 17:32); lembrai-vos dos presos, como se estivésseis presos com eles (He 13:3), e assim por diante. Com a mesma ênfase, Deus nos diz, ainda hoje: Lembrai-vos dos vossos pastores, que vos falaram a palavra de Deus (He 13:7). Cada crente, com certeza, teve, em sua experiência religiosa, algum que lhe serviu de referência; alguém que foi usado para ministrar-lhe os ensinamentos de Deus. Não podemos negar a contribuição dessas pessoas para o crescimento dos fiéis. Até por isso, estes não devem esquecê-las. Aliás, a recomendação da palavra de Deus, para esses casos, é a seguinte: E o que é instruído na palavra reparta de todos os seus bens com aquele que o instrui (Gl 6:6; cf. Rm 15:27). Portanto, se nada mais puder fazer em favor dessas pessoas, ore pela saúde e pela permanência dos pastores nos caminhos de Deus. Faça-lhes uma ligação telefônica e fale da afeição que tem por eles e do quanto se sente agradecido a Deus pela vida deles. Esqueça as eventuais fraquezas que eles têm; enfatize apenas o seu lado positivo.

“… a fé dos quais imitai”:

A fé do pastor é demonstrada através de sua dedicação e constância no trabalho, paciência e perseverança. Paulo pode ser considerado o melhor exemplo de fé, dedicação e amor à causa de Deus que poderíamos esperar de um pastor. Por isso, ninguém há melhor que ele para desenhar o tipo de pastor que considera ideal do ponto de vista de Deus. Diz ele:

 

Não dando nós escândalo em coisa alguma, para que o nosso ministério não seja censurado; antes, como ministros de Deus, tornando-nos recomendáveis em tudo: na muita paciência, nas aflições, nas necessidades, nas angustias, nos açoites, nas prisões, nos tumultos, nos trabalhos, nas vigílias, nos jejuns, na pureza, na ciência, na longanimidade, na benignidade, no Espírito Santo, no amor não fingido, na palavra da verdade, no poder de Deus, pelas armas da justiça, à direita e à esquerda, por honra e por desonra, por infâmia e por boa fama; como enganadores, e sendo verdadeiros; como desconhecidos, mas sendo bem conhecidos; como morrendo, e eis que vivemos; como castigados e não mortos; como contristados, mas sempre alegres; como pobres, mas enriquecendo a muitos; como nada tendo, e possuindo tudo. (II Co 6:4-10)

 

 

As circunstâncias aí mencionadas foram as que marcaram o ministério de Paulo. Por isso, ele pode aconselhar: Sede também meus imitadores, irmãos, e tende cuidado, segundo o exemplo que tendes em nós, pelos que assim andam (Fp 3:17). São suas também as seguintes palavras: Sede meus imitadores, como também eu de Cristo. E louvo-vos irmãos, porque em tudo vos lembrais de mim, e retendes os preceitos como vo-los entreguei (I Co 11:1-2).

“… atentando para a sua maneira de viver”:

Qual a maneira de viver do pastor? De acordo com o texto bíblico que citamos, no parágrafo anterior, fica fácil imaginar a sua maneira de viver: resignado, submisso, inteiramente à disposição de Deus para o que ele determinar, não lhe importando se, para isso, tiver de sacrificar seus interesses e sua vontade. E, se essa é a sua maneira de viver, é para isso que o crente fiel deve atentar.

“Obedecei a vossos pastores” (He 13:17):

A palavra “pastores”, que aparece em He 13:7,17, serve, também, para designar guias, condutores e superiores. O pastor, considerado do ponto de vista de sua missão, é aquele que guia e conduz o rebanho de Deus. Hierarquicamente, é superior àqueles que estão sob seus cuidados espirituais. Portanto, a palavra de Deus recomenda obediência a essas pessoas: Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles. A sua palavra deve ser ouvida, seus conselhos, acatados, e seu bom exemplo, seguido. A sujeição recomendada pela palavra de Deus a essas pessoas não deve ser demonstrada por constrangimento, como algo forçado, obrigatório. Ao contrário disso, deve ser espontânea e voluntária, marcada pela alegria.

“… porque velam por vossas almas” (He 13:17):

O pastor é um vigilante permanente. A missão que exerce exige, de sua parte, todo o cuidado possível. Ele não pode se descuidar, pois um pequeno descuido de sua parte pode redundar em prejuízo, tanto para si como para o rebanho de Deus. Assim está escrito: Ninguém que milita se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra. E, se alguém também milita, não é coroado se não militar legitimamente (II Tm 2:4-5). A principal tarefa do pastor é cuidar desse rebanho e de cada uma de suas ovelhas em particular, com dedicação, ou, como diz o próprio texto, como aqueles que hão de dar conta delas. Para essa atividade, deve, pois, canalizar todas as suas energias.

“… para que o façam com alegria e não gemendo”:

O pastor deve demonstrar alegria na prestação do seu serviço a Deus. Pastorear o rebanho de Deus é uma das atividades que só deve ser feita por quem tiver absoluta certeza de que foi chamado para fazê-la. Se o pastor não se identifica com essa atividade, é sinal de que não está no lugar certo, e bem faria se deixasse que outra pessoa a realizasse. Lembramos que o pastor não é recompensado somente por realizar a tarefa que a função lhe impôs; é recompensado, principalmente, por fazer isso com dedicação e alegria. Só o trabalho feito com alegria é digno de gratificação. De outra forma, se as ovelhas do rebanho não reconhecem o trabalho do seu pastor, não lhe obedecem e não se sujeitam ao seu comando, este acaba trabalhando sem motivação e até com tristeza. E isso não seria de nenhum modo útil à igreja.

Diante do que tratamos aqui, fazemos uma afirmação que já não é novidade para ninguém: nenhum homem é perfeito; todos têm suas fraquezas e imperfeições. Portanto, se não há, entre os humanos, nenhum perfeito, isso significa que o nosso pastor também tem algum tipo de imperfeição. Porém, cada crente precisa admitir que o pastor consciente de sua responsabilidade é uma pessoa que se esforça para fazer o que é certo, de modo a servir de exemplo para o rebanho. Por isso, temos o dever de nos lembrar dos nossos pastores, pois agem como aqueles que têm de dar conta de cada ovelha que lhe foi confiada. Que cada crente ame o seu pastor e o valorize, lembrando-se sempre dele.

Extraído Revista O Clarim: autor Pr. Valdeci Nunes de Oliveira

 

 

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